É noite de sexta-feira numa casa de shows do Brooklyn e o povo fuma sem parar (a bartender inclusive). Domingo à tarde, restaurante fino: a senhora da mesa ao lado dá suas baforadas entre um prato e outro. Numa manhã de terça-feira, à espera do metrô no Upper West Side, um rapaz também acende um cigarro tranquilamente - mas acaba interceptado por um guarda. Dez anos depois da proibição do fumo em lugares públicos fechados de Nova York, numa iniciativa que logo se alastrou pelo mundo, o hábito ensaiava uma volta, com a crescente popularidade dos cigarros eletrônicos. Mas os vereadores da cidade decidiram, por 43 votos a 8, estender ao novo produto as restrições de locais para o consumo do cigarro convencional. Prestes a deixar o cargo, o prefeito Michael Bloomberg deve sancionar a lei. Vendidos como uma alternativa menos prejudicial, os dispositivos - que são movidos a bateria e liberam uma solução de nicotina sem tabaco, produzindo vapor no lugar de fumaça - vêm de certa forma tornando o cigarro aceitável novamente, desfazendo um trabalho de demonização que consumiu décadas, desde que seus malefícios se tornaram impossíveis de ignorar. Nesta linha, a presidente da Câmara de Vereadores, Christine Quinn, defendeu que permitir o uso de cigarros eletrônicos em locais fechados poderia fazer com que fumar nesses lugares voltasse a ser normal. Em novembro, ao sancionar lei que proíbe a venda de tabaco para menores de 21 anos, Bloomberg já tinha dado um passo contra os e-cigarettes ao incluí-los no texto. - Não queremos um só passo atrás nisso - disse Christine. O mercado dos chamados e-cigarettes já movimenta US$ 1,7 bilhão só nos Estados Unidos (o comércio de maços convencionais, por sua vez, chega a US$ 90 bilhões). Para os fabricantes, Nova York teve pressa na decisão. - Empresas como a nossa querem ser responsáveis, mas quando há municípios que julgam prematuramente o que pode ou não, sem base científica, acho que é um desserviço ao público - disse o presidente da Logic, Miguel Martin. (Oglobo)
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