Uma pesquisa da Fundação Britânica do Pulmão mostrou que uma em cada três pessoas perde, em média, 23 dias de sono por ano, em virtude do ronco do companheiro. Mas o barulho, que pode causar brigas entre casais e até mesmo a separação, deixou de ser um incômodo apenas para o parceiro e pode ser sinal de uma doença grave para quem o emite: a apneia. Os portadores da doença, caracterizada por paradas respiratórias que ocorrem durante o sono e duram, no mínimo, 10 segundos, apresentam risco elevado de morte súbita por causa cardíaca, segundo estudo publicado pelo Centro de Distúrbios do Sono estadunidense. No Brasil, 33% da população sofre com o problema, segundo o Ministério da Saúde. No entanto, a maioria nem sabe que tem a doença, já que apenas um exame que monitora o sono é capaz de diagnosticá-la, a polissonografia. “Entre as causas mais comuns da apneia estão o mau posicionamento da mandíbula, excesso de peso, obstrução parcial das vias aéreas superiores e algumas alterações hormonais. Mulheres apresentam maior risco quando entram na menopausa”, explica Kenya Felicíssimo, única dentista na Bahia com certificação em Odontologia do Sono. A profissional aponta que, “além do ronco alto, entre as consequências mais frequentes da doença estão o aumento de peso, hipertensão, infarto, impotência sexual, alterações de memória e raciocínio, além de acidentes no trânsito e no trabalho, devido a noites mal dormidas”. Pesquisas realizadas na Inglaterra apontam que um em cada 20 motoristas apresenta apneia do sono; por causar sonolência diurna, a síndrome aumenta em seis vezes as chances de acidente no trânsito. Ao contrário dos adultos, as crianças portadoras da apneia apresentam comportamento hiperativo e tornam-se desatentas na sala de aula, resultando em baixo rendimento escolar.
Tratamento
Após diagnóstico emitido por um médico especialista em sono, o paciente pode optar pelo tratamento com um aparelho intraoral individualizado (AIO), que deve ser usado apenas para dormir. “O aparelho promove a desobstrução das vias respiratórias, possibilitando a passagem do ar. Pacientes que possuem apenas o ronco também são beneficiados e param de roncar”, explica Kenya Felicíssimo. Além disso, algumas mudanças nos hábitos de vida contribuem com a melhora da síndrome. “Dormir de lado, perder peso e evitar o consumo de bebidas alcoólicas ajudam os apneicos a diminuir o número de paradas respiratórias durante a noite”, finaliza a especialista.
