Em um pedaço de papel escrito à mão, um transportador de leite guardava em casa, em Boa Vista do Buricá, no interior do Estado, a receita de como adulterar o leite que, desta vez, seria vendido nas gôndolas dos supermercados paranaenses. O bilhete contendo a fórmula da adulteração com adição de ureia foi apreendido ontem na Operação Leite Compensado 2, uma nova ofensiva do Ministério Público contra a fraude. Três caminhões utilizados para o transporte de leite, notas fiscais que comprovam a aquisição de ureia e planilhas com os dados do recolhimento do produto também foram apreendidos. A segunda fase da operação tinha o objetivo de estancar a fraude em outros dois núcleos espalhados pelo Estado. Cinco pessoas acabaram presas com os mandados cumpridos em Rondinha, Boa Vista do Buricá e Horizontina. A adulteração do leite em Rondinha, a 400 quilômetros de Porto Alegre, seguia a mesma fórmula já denunciada pelo MP, duas semanas atrás: os donos da transportadora adicionavam água e ureia com formol ao produto recolhido nas propriedades rurais. Os irmãos Adelar e Antenor Signor e o motorista de caminhão Odirlei Fogatta foram presos, mas negaram envolvimento na fraude. “Tô por fora, pra mim é surpresa isso. Aqui em casa isso nunca foi usado”, defendeu-se Adelar. Mas nos últimos três meses, 11 laudos feitos pelo Ministério da Agricultura comprovaram a adulteração de 113 mil litros de leite transportados por lá. O produto apreendido ontem seria entregue à Confepar, uma cooperativa do Paraná, que reagiu ao ser citada pelo MP. “A cooperativa recebeu o memorando do Ministério da Agricultura e, de imediato, intensificou as análises e controles do produto recebido com processos ainda mais criteriosos, que não apontaram nenhum problema ou irregularidade”, esclareceu por meio de nota.
