Os sobreviventes da tragédia que deixou mais de 230 mortos e 90 feridos após o incêndio em uma casa noturna, em Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul - e ficaram por muito tempo expostos à fumaça, poderão desenvolver um quadro de pneumonite química, ou seja, uma inflamação pulmonar que pode provocar insuficiência respiratória. O pneumologista Adalberto Rubim, da Santa Casa de Porto Alegre, explica que a longa exposição à fumaça química danifica os tecidos pulmonares e pode deixar sequelas, impedindo os pulmões de funcionar de maneira adequada. "Nesses casos, o paciente tem dificuldade para oxigenar o sangue", diz o médico. Segundo ele, quando uma pessoa é intoxicada por fumaça, as primeiras providências são afastá-las do local e dar a elas oxigênio puro.
"A fumaça provoca um dano agudo e obstrui a respiração. Os danos começam a ser provocados imediatamente e o paciente pode ter de conviver com isso para o resto da vida". O médico afirma que quanto menor for o tempo de exposição à fumaça, maiores são as chances de recuperação dos tecidos. "Em casos mais graves, com antiinflamatórios - como cortisona. Também é possível progressos com alguns tratamentos de longo prazo, como fisioterapia. Segundo o pneumologista, outro fator que deve ser considerado é o tipo de elemento químico inalado, a reação do organismo da vítima e a extensão da exposição. "Cada caso é um caso", diz ele.
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