Neste sábado, o PMDB realiza sua Convenção Nacional em Brasília para
discutir as rotas possíveis que a sigla irá tomar diante do atual
cenário político do país.Na ocasião, os integrantes da sigla devem
reeleger o vice-presidente Michel Temer como líder do PMDB.A pauta que
causa mais alvoroço diz respeito a um possível desembarque da base de
apoio do governo de Dilma Rousseff. Para analistas, se essa hipótese
vencer, o processo de impeachment contra a presidente pode se tornar
irreversível.Há tempos, o PMDB flerta com essa possibilidade - vale
lembrar o teor da carta de Temer endereçada a Dilma. Mas, nesta semana, o
iminente divórcio ganhou novos capítulos. Na terça, líderes
peemedebistas e tucanos no Senado se reuniram em um jantar sinalizando
uma possível aliança.Na análise da consultoria Prospectiva, o desgaste
político do governo tem levado os partidos a flertar com um eventual
desligamento da base aliada.
“Caso a legenda libere os votos de
seus parlamentares para a votação, pode-se esperar que o impeachment se
concretize”, diz o especialista Thiago Vidal, coordenador do Núcleo de
Análise Política da consultoria. “Por ser o maior partido do Congresso, o
PMDB serve de bússola para as demais legendas”.A vitória do deputado
Leonardo Picciani, fiel aliada de Dilma, na disputa pela liderança do
PMDB na Câmara rendeu um ponto positivo para a presidente, já que na
formação da Comissão Especial que analisará o impeachment, o parlamentar
deve entrar com uma lista de peemedebistas favoráveis ao arquivamento
do processo.No entanto, os novos desdobramentos políticos que ferem a
imagem da presidente Dilma elevaram a probabilidade do mandato da
petista ser interrompido antes do fim do ciclo.
Para o professor
e cientista político da FGV/EBAPE, Carlos Pereira Agora, o destino da
presidente pode depender das decisões que serão tomadas na convenção.
“Quem vai definir a última instância do impeachment vai ser o PMDB”,
afirma.
“O partido está muito dividido e é muito difícil prever o rumo
das decisões”.Um relatório da consultoria Prospectiva, obtido em
primeira mão por EXAME.com, traça três possíveis cenários para o futuro
do governo.Uma das hipóteses prevê que, caso o PMDB deixe a base aliada,
a petista até pode permanecer no poder, mas com popularidade e
governabilidade abalados. “Dificilmente Dilma conseguiria aprovar no
Congresso Nacional as medidas que julga necessárias para retomar o
crescimento econômico”, afirma o coordenador do Núcleo de Análise
Política da Prospectiva. (EXAME)

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