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Presas enfrentam o drama da separação dos filhos

Três comprimidos tarja-preta não foram suficientes para ajudar Aline* a dormir. Depois de aguardar noves meses o nascimento de Gabriel*, ela se preparava para o revés do parto: a despedida. Na tarde seguinte, Ana Lúcia, sua cunhada, chegou à penitenciária para buscar o bebê. Antes de entregá-lo, Aline o pegou no colo e balançou o corpo para ninar o pequeno. Logo, ele dormiu. Ela acompanhou os dois até a porta da penitenciária. No caminho, uma detenta lamentou: “ô, dó”. Como Aline, cerca de 12 mulheres entram grávidas no Conjunto Penal Feminino de Salvador todo mês. Desse total, três completam a gestação enquanto estão no presídio, estima a assistente social da instituição, Simone Santana. Ana Lúcia pegou Gabriel em seus braços. Ele, ainda sonolento, agarrou a mãozinha na gola laranja da farda da mãe em vão. Mais tarde, já acordaria em outros braços e fora da prisão. Aline desabou no choro. Entrou em uma sala para ser revistada e, em seguida, encaminhou-se aos prantos para a carceragem. Enquanto responde por tráfico de drogas na Penitenciária Feminina de Salvador, ela deixará o pequeno aos os cuidados da irmã de seu marido, preso pelo mesmo crime que ela. As despedidas entre mães e filhos são consideradas um dos momentos mais tristes no presídio feminino. “Das agentes penitenciárias às outras presas, todos se apegam e se envolvem. O ambiente é de muita pressão e estresse, a presença deles tira o peso da cadeia”, diz a diretora da instituição, Luz Marina.

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