O novo ministro da Fazenda ainda não foi anunciado pela presidente Dilma Rousseff, mas muitos economistas já têm uma certeza. O maior desafio do futuro substituto de Guido Mantega será administrar o atual déficit gêmeo brasileiro. Em 12 meses, os saldos negativos nas contas internas e externas orbitam em torno de 4% do PIB (Produto Interno Bruto). Os economistas afirmam que o número por si só não significa que o País está em apuros. O diagnóstico depende de algumas variáveis. Uma delas é a finalidade do excesso de gastos públicos. Se o Estado gasta mais para garantir segurança, educação, saúde, saneamento público, ou seja, bem-estar, o estilo perdulário pode ser perdoado. Quando o rombo fiscal chega no patamar em que está atualmente, os sinais de alerta costumam ser ligados nas mesas de operação e departamentos de economia. "Em uma receita de bolo simples, 4% de déficit é atenção. Acima de 7%, significa que um país está mais vulnerável", afirma o superintendente do Departamento Econômico do Citi Brasil, Marcelo Kfoury. O sinal amarelo pode se transformar em vermelho no curto prazo se a economia mundial for surpreendida com um problema macroeconômico relevante e, com isso, minguar o fluxo de capital estrangeiro no Brasil. "O Brasil é o segundo país mais vulnerável. Ou seja, qualquer peteleco no fluxo de investimentos diretos, a economia brasileira vai sofrer", diz o professor da Universidade de São Paulo, Simão Davi Silber. Mais vulnerável que o Brasil é a Turquia, segundo artigo do Relatório de Política Monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) que analisou 15 países emergentes no início desse ano. No curto prazo, o déficit fiscal também representa um obstáculo a mais para os investimentos no setor produtivo, na avaliação do professor de Economia do Insper, Otto Nogami.
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