A presidente Dilma Rousseff não vai conseguir romper, no último ano de mandato, a marca de baixo crescimento e inflação acima da meta. Pelos cálculos do Banco Central apresentados nesta sexta-feira no Relatório Trimestral de Inflação, o primeiro ano do próximo governo também estará comprometido pela inflação. O diretor de política econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, admitiu que as estimativas da instituição estão longe de convergir para a meta oficial de 4,5%. Mesmo assim, ele disse que a equipe atua nesse sentido e avaliou que o trabalho de combate à inflação em 2013 pode ser considerado "bom". Mais de uma dúzia de vezes o diretor enfatizou que o BC está "de olho" na inflação, um sinal mais forte de preocupação com a tendência dos preços do que o apresentado recentemente em documentos do banco. Começaram a aumentar as dúvidas no mercado de que a próxima ação do Comitê de Política Monetária (Copom), em janeiro, será de uma elevação de 0,25 ponto porcentual da taxa básica de juros, a Selic, para 10,25% ao ano. Muitos especialistas já falam numa alta da taxa para 10,5%. Hamilton afirmou que o monitoramento da inflação é uma atividade cotidiana do BC. "Ela é recorrente. Faz parte de nossa atividade cotidiana nos preocupar com a inflação, mas é bom lembrar. O recorrente às vezes cai na rotina e é esquecido", afirmou. Para cumprir a tarefa, o BC atualizou nesta sexta suas projeções. A inflação fechará 2013 em 5,8%, o ano que vem em 5,6% e 2015 em 5,3% ou 5,4%, dependendo de variáveis usadas, como câmbio e taxa de juros. (AE)
