Se governos de todo o mundo não tomarem uma atitude, o deficit na área de saúde poderá chegar a 12,9 milhões de profissionais nas próximas duas décadas. O alerta é da OMS (Organização Mundial da Saúde), que divulgou um relatório detalhado sobre a situação da carência de profissionais nesta semana, em Olinda (PE). A cidade recebeu no domingo (10) o 3º Fórum Global de Recursos Humanos para a Saúde, com a participação de representantes de 85 países. Atualmente, faltam 7,2 milhões de profissionais de saúde no planeta. A OMS recomenda um mínimo de 22,8 profissionais para cada 10 mil habitantes, mas cem países têm menos de 34,5% dessa quantidade. "[Esse número] não nos surpreende porque repete o que foi encontrado em pesquisa de alguns anos atrás [em 2000]", disse Marie-Paule Kieny, diretora-geral-assistente da OMS. "Não foi feito esforço suficiente, o que significa que o ímpeto político para impulsionar a formação de trabalhadores da saúde não chegou ao nível necessário", afirmou.Para Ties Boerma, diretor do departamento de estatística da saúde da OMS, o progresso foi lento. "Precisamos definitivamente fazer mais nessa questão de falta de profissionais de saúde, particularmente nos países de baixa renda, majoritariamente na África subsaariana", afirmou Boerma. Marie-Paule Kieny disse os documentos resultantes dos dois primeiros fóruns que discutiram os recursos humanos na saúde, em 2008 e 2011, não tiveram o apoio esperado dos governos, o que foi determinante para que a situação ficasse estagnada na última década. Com a reunião de representantes de tantos governos no Recife, Kieny diz esperar um resultado diferente do encontro deste ano. "Esperamos que o governo brasileiro leve esse documento [resultante do fórum] para a Assembleia Mundial da Saúde [principal órgão decisório da OMS] para que seja discutido com outras nações que não participam desta conferência. Tentamos com este fórum aumentar o comprometimento político [dos países]", afirmou. (Folha)
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