"Você também vai fazer o teste para gandula, né? Pega isso aqui também, é o material para a prova escrita..." Maria Clíssia, 15, soltou um "Hã? O quê?", coçou a cabeça e passou a examinar a "cartilha" com informações que cairiam na prova teórica que selecionou os jovens que trabalharão como gandulas na Copa das Confederações, de 15 a 30 de junho. Junto com a prova prática, em que os candidatos simularam situações que encontrarão nos campos, o "vestibular" selecionou 138 jovens entre 14 e 16 anos que trabalharão na competição. "Achava que [para ser gandula] era só atirar a bola para o jogador. Pensei que iríamos para o campo treinar, não que teria uma prova", diz Maria, goleira do time feminino da categoria sub-17 do Vasco, uma das escolhidas.
"Não sou apenas eu que pensava assim. Muita gente, amigos, parentes, me perguntam como faz para ser gandula. Eles dizem que qualquer um consegue [arremessar uma bola]", lembra a jovem. Maria conta que todos se impressionam quando ela diz ter passado por testes físicos e teóricos aplicados por um patrocinador oficial --a Coca-Cola, responsável pelo programa de gandulas. "Eles não sabem que envolve tanta coisa", explica. A adolescente se refere a informações teóricas relacionadas a história dos gandulas, organograma do COL (Comitê Organizador Local), patrocinadores, fisiologia, comportamento ético, regulamento e até vestuário. Tradicionalmente são os próprios clubes que apontam os gandulas de seus jogos. Alguns escolhem os funcionários mais humildes, que assim conseguem renda extra. Em São Paulo, a FPF (Federação Paulista de Futebol) só define gandulas a partir das quartas de final. A federação seleciona apenas mulheres para serem gandulas. Elas são escolhidas após avaliação de currículo com foto. As interessadas devem ter entre 18 e 26 anos e preferencialmente cursar educação física.
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