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Como conversar sobre o mito do Papai Noel

Durante anos você espera essa época do ano esperando aquele homem velhinho e barbudo deixar o presente que tanto sonhou na chaminé até que um belo dia descobre que tudo isso não passa de uma grande invenção. A descoberta da verdade sobre o Bom Velhinho pode ser dolorosa, principalmente quando as crianças sentem que foram enganadas. Mas como se portar diante dessa situação? A revista "Mente e Cérebro" desse mês traz uma matéria sobre a crença mais comum da infância no mundo ocidental: o Papai Noel e como ocorre a descoberta da ficção por parte dos pequenos, geralmente por volta de 6 ou 7 anos. Segundo a publicação, muitos pais não se atentam ao momento em que os filhos percebem a inexistência do Papai Noel por encarar essa fase como um processo de amadurecimento. Mas, dessa forma, eles acabam subestimando aspectos importantes como o fato de que essa etapa possa ser fundamental na constituição das bases de relacionamento consigo mesmo e com o outro ao longo da vida. Afinal, como confiar em pessoas que - mesmo que com boa intenção - mentiram para ela? 

O sociólogo francês Gérald Bronner, que assina a matéria da "Mente e Cérebro" realizou uma pesquisa com 142 crianças para entender o momento na mudança do sistema de visão de mundo delas. O abandono da crença em Papai Noel provocou em quase metade das crianças ouvidas algum tipo de crise, que pode se transformar em uma simples desilusão ou causar atos de violência. A ruptura inesperada de uma crença, como ocorreu em 46% dos casos, provoca uma decepção em 59% das crianças, enquanto as rupturas progressivas são seguidas por uma crise somente em 27% dos casos. 

Como contar a verdade 
Entre as crianças que afirmam terem ficado decepcionadas, muitas ressaltam que se consolaram por saber que continuariam recebendo presentes. Essa garantia parece servir como compensação para enfrentar essa ruptura sem maiores traumas. Além disso, deixando de acreditar em Papai Noel as crianças têm a impressão de entrar no "círculo das pessoas grandes", em uma espécie de rito de passagem que pode ocorrer de maneira indolor se os pequenos tiverem a impressão de tirar uma vantagem da fantasia. Ainda de acordo com a publicação, a passagem será sentida positivamente se a criança tiver irmãos, primos ou amigos menores e aceitará de bom grado transformar-se em um dos atores da pequena comédia anual. Participando do segredo, ela tem a impressão de compartilhar algo do mundo dos adultos: obtém uma missão de confiança. Bronner sugere que se a criança for filha única uma boa ideia é fazer uma brincadeira com os adultos, vestindo-se ela própria de Papai Noel na noite de Natal. Isso lhe permitirá rir com os outros – e não se sentir traída. Portanto, quando a criança começa a ter dúvidas é melhor parar de mentir. Não se trata de lhe dizer brutalmente a verdade, porque o fim inesperado da crença poderia ser mal vivenciado, mas de lhe fazer as mesmas perguntas. Se ela perguntar diretamente se o Velhinho existe é possível dizer algo como: "é uma pergunta que você deve responder sozinha, talvez já saiba a resposta". (Fonte: Band)

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